Retrabalho nos processos pode ser entendido, neste contexto organizacional, como retomar ou refazer uma atividade para corrigir uma entrega que não atendeu a um requisito ou critério aplicável. Para reconhecer a ocorrência, é necessário identificar a entrega, a diferença encontrada e a referência utilizada para avaliá-la.
Uma devolução mostra que a entrega voltou para algum encaminhamento, mas não explica, sozinha, o motivo nem demonstra erro de execução. Examinar o motivo e a referência permite distinguir uma correção de uma revisão prevista ou de uma exigência que surgiu depois da entrega.
O que é retrabalho nos processos
O ponto de partida é uma atividade que precisa ser retomada para corrigir uma diferença frente ao que era requerido. No campo dos custos da qualidade, a ASQ associa retrabalho ou retificação à correção de material defeituoso ou erros. No trabalho organizacional, essa análise exige reconhecer o critério aplicável à entrega examinada.
Isso pode envolver um cadastro, um documento ou uma preparação que volta para ajuste. O fato de a atividade ter sido retomada é uma observação; reconhecer uma correção exige conferir a diferença frente ao requisito aplicável. Explicar por que essa diferença ocorreu requer outras informações.
“Há muito retrabalho” é uma demanda inicial, ainda ampla. Para investigá-la, delimite quais atividades retornam, como isso é identificado e o que os registros mostram sobre cada ocorrência. O artigo sobre problemas organizacionais no trabalho aprofunda a diferença entre uma manifestação e sua explicação.
Revisão prevista correção e mudança de escopo
Retomar uma atividade pode fazer parte do trabalho previsto. Uma análise preliminar pode depender de revisão antes da aprovação; uma entrega parcial pode exigir complementação em uma etapa posterior. Esses movimentos precisam ser compreendidos antes de serem classificados como falhas.
Para examinar uma devolução, considere as diferenças:
- Correção: ajustar algo que não atendeu a um requisito ou critério aplicável à entrega.
- Revisão prevista: examinar e desenvolver o trabalho conforme uma etapa já reconhecida.
- Complementação: acrescentar informação necessária, verificando se ela já era exigida naquela etapa ou se pertence a outro momento.
- Mudança de escopo ou critério: atender a uma necessidade modificada depois da entrega, distinguindo a nova exigência da referência anterior.
As situações podem se combinar. Um documento pode ter um erro e também receber uma exigência nova. Nesse caso, registrar separadamente os motivos ajuda a não atribuir toda a retomada à mesma condição.
O que registrar quando uma atividade retorna
Identifique a atividade, a entrega e o ponto em que o retorno ocorreu. Registre o motivo informado por quem solicitou o ajuste e procure a referência que permite compreender essa solicitação.
Confira qual instrução ou critério era aplicável e se ele estava disponível no momento pertinente. A documentação de processos ajuda a reconhecer registros e versões; a padronização de processos aprofunda critérios comuns e tratamento de exceções.
Quando não for possível identificar a referência, registre essa lacuna. A falta de um documento não demonstra, por si só, que não havia requisito, assim como a existência de um documento não demonstra que ele era aplicável ou estava acessível naquele caso.
Como investigar repetições sem antecipar a causa
Formule uma pergunta delimitada, como: “Por que os cadastros desta atividade voltam para ajuste desse campo?” Em seguida, examine os pedidos, as entregas e as razões registradas para a devolução.
Antes de agrupar ocorrências, confira se elas envolvem o mesmo tipo de entrega e critérios comparáveis. Retornos por erro de preenchimento e retornos por exigência posterior podem precisar de análises diferentes. O mapeamento de processos pode ajudar a localizar a etapa e o percurso do retorno.
Uma repetição orienta novas perguntas, mas não comprova sua causa. Falta de clareza no requisito, mudança de referência, erro de execução e divergência na avaliação são explicações possíveis a conferir. A distinção entre hipóteses e suposições ajuda a manter a investigação aberta ao que os registros mostram.
Compare o motivo relatado com as fontes disponíveis e considere informações que contrariem a primeira explicação. A qualidade dessa relação entre informação e conclusão é discutida em decisão baseada em evidências.
Exemplo qualitativo de devolução de uma entrega
Em uma situação hipotética, um cadastro é devolvido porque um campo está vazio. O pedido original e a instrução pertinente são consultados para esclarecer por que o campo passou a ser exigido.
Se o preenchimento já era requerido naquela entrega, o campo estava sem a informação exigida e não havia exceção aplicável, há uma correção a examinar. Ainda será necessário investigar o que levou à diferença. Se a exigência foi acrescentada depois do envio, a retomada pode atender a uma mudança de critério. Se a referência aplicável não puder ser identificada, a classificação permanece pendente.
O mesmo pedido de ajuste pode, portanto, exigir encaminhamentos diferentes. Refazer o cadastro resolve a diferença apontada naquela entrega; isso não demonstra que as condições de uma eventual repetição tenham sido esclarecidas.
Registro de ocorrências para apoiar a análise
O registro abaixo organiza as informações do exemplo. Ele permite conservar a dúvida sem preencher a explicação com uma suposição.
| Item | Registro no exemplo hipotético |
|---|---|
| Atividade retomada | Preparação de um cadastro. |
| Entrega e etapa | Cadastro enviado para conferência. |
| Diferença identificada | Campo sem preenchimento. |
| Motivo informado | Solicitação de inclusão da informação no cadastro. |
| Referência aplicável | A conferir no pedido e na instrução pertinente, incluindo versão, momento de aplicação e eventual exceção. |
| Explicações a examinar | Omissão de requisito já aplicável ou exigência posterior à entrega. |
| Informação ainda ausente | Quando e em quais condições o preenchimento passou a ser exigido. |
| Responsável pelo encaminhamento | Identificar quem pode esclarecer o critério e quem decide sobre eventual ajuste. |
| Próximo exame | Comparar pedido, instrução e devolução; registrar o esclarecimento e as questões que permanecerem abertas. |
Para outra ocorrência, registre a fonte de cada informação e identifique a instrução ou versão consultada. Preserve a distinção entre motivo informado, diferença constatada e explicação ainda em exame.
Quando um dado estiver ausente, indique que não foi localizado ou confirmado. Um campo vazio não deve ser convertido em ausência de ocorrência ou em zero em uma futura contagem. Se a análise passar a exigir acompanhamento sistemático, a definição da medida pode ser aprofundada em indicadores de desempenho.
Como encaminhar ajustes e acompanhar sua adequação
Separe a correção da entrega do exame das condições que podem produzir novos retornos. Uma correção pode ser necessária para concluir a atividade, enquanto a investigação sobre a repetição continua aberta.
O encaminhamento deve guardar relação com o que foi identificado. Esclarecer um requisito pode ser pertinente quando a dúvida está na referência; examinar a execução pode ser necessário quando a diferença ocorre apesar de um critério reconhecido e acessível. A relação precisa ser sustentada pelo caso, sem escolher treinamento ou ferramenta antes de compreender a ocorrência.
No método DRO, a pergunta e as evidências apoiam a recomendação. Registre quem pode decidir o ajuste, o que foi decidido e quais condições exigem nova avaliação. Depois, confira se a ação tratou a diferença identificada e se surgiram outras informações relevantes. Ao examinar novas ocorrências, considere as condições comparáveis e as mudanças de critério; a ausência de um novo registro, sozinha, não comprova que a causa foi eliminada.
Quando as ocorrências indicarem relações que ultrapassam a atividade delimitada, o diagnóstico organizacional permite aprofundar o escopo. Uma ficha de ocorrência não substitui essa análise mais ampla.
Perguntas frequentes
O que é retrabalho no trabalho organizacional?
Neste recorte, é retomar ou refazer uma atividade para corrigir uma entrega que não atendeu a uma referência aplicável. Reconhecer qual referência valia é parte da análise.
Toda devolução é retrabalho?
Uma devolução pode pedir correção, revisão prevista, complementação ou atendimento a uma exigência nova. É preciso examinar o motivo e as condições da entrega antes de classificá-la.
Revisar uma entrega é desperdício?
A revisão pode fazer parte do desenvolvimento e da avaliação do trabalho. Sua existência não demonstra desperdício. Confira a finalidade da etapa e o que motivou a retomada.
Como começar a investigar uma repetição?
Escolha uma atividade delimitada e reúna pedidos, entregas, referências e motivos de retorno. Compare ocorrências semelhantes e identifique o que ainda precisa ser esclarecido antes de atribuir uma causa.
Corrigir o erro impede que ele volte?
A correção trata a diferença encontrada na entrega. Para avaliar a possibilidade de repetição, é necessário investigar as condições da ocorrência e conferir a adequação do encaminhamento adotado.
Como citar este artigo
Danilo Rezende Oliveira. Retrabalho nos processos: como investigar repetições e devoluções. DRO, s.d.. Disponível em: https://drobrasil.com/conhecimento/retrabalho-nos-processos/.
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