DRO / ACERVO INVESTIGATIVO ART-014 PROCESSOS ORGANIZACIONAIS

Como fazer um mapeamento de processos: fluxo e exemplo prático

Veja como fazer um mapeamento de processos, definir limites, representar atividades e passagens e conferir o fluxo com um exemplo qualitativo.

AUTOR Danilo Rezende Oliveira

Para fazer um mapeamento de processos, delimite o trabalho que pretende compreender, levante como ele é encaminhado, represente as atividades e passagens e confira o mapa com os participantes. Inclua as condições para continuar, os retornos e as dúvidas ainda não resolvidas. O resultado deve permitir acompanhar o percurso de uma demanda dentro do recorte escolhido.

O desenho é uma representação desse trabalho. Ele não demonstra, sozinho, que o processo foi compreendido por completo ou que uma melhoria foi realizada. Sua utilidade depende das fontes utilizadas e da possibilidade de conferir o que foi representado.

O que é mapeamento de processos

Neste texto, mapeamento de processos é o levantamento e a representação das atividades e relações de um processo delimitado para compreender como o trabalho é encaminhado. O mapa é a representação produzida. Ele pode mostrar atividades, participantes, informações que passam entre eles e condições que abrem caminhos diferentes.

Todo mapa tem um recorte. A solicitação pode ser acompanhada desde sua apresentação até uma decisão de encaminhamento, por exemplo, sem incluir a execução posterior do serviço. Explicitar essa fronteira permite entender o que o desenho mostra e o que permanece fora dele.

O recorte deve responder a uma necessidade. No Método DRO, a demanda e a pergunta que precisa ser examinada orientam o trabalho de compreensão. Mapear sem essa referência pode produzir uma descrição extensa que não esclarece a situação em análise.

Mapeamento, fluxograma e documentação

Os termos estão relacionados, mas designam trabalhos e produtos diferentes:

TermoFunção neste textoO que não deve ser confundido
MapeamentoLevantar e representar o percurso de um processo delimitado.O levantamento não se resume a desenhar atividades imaginadas.
FluxogramaRepresentar a sequência e as ramificações do trabalho.É uma forma de representar o fluxo, não todo o conhecimento sobre o processo.
DocumentaçãoRegistrar orientações e referências necessárias ao trabalho e à sua manutenção.Um mapa pode integrar o documento, mas não substitui todas as suas informações.

O artigo de documentação de processos explica como organizar esse registro mais amplo. Aqui, a entrega principal é o mapa: como ler as passagens, reconhecer os retornos e conferir se a representação corresponde ao recorte escolhido.

Por onde começar o levantamento

Formule a pergunta que justifica o mapa. Pode ser necessário compreender onde uma solicitação retorna, como a informação chega à avaliação ou qual passagem não tem encaminhamento claro. Essa pergunta ajuda a escolher o início e o fim da representação.

Defina também quais casos e período serão examinados, quem participa e quais referências estão disponíveis. O contexto organizacional ajuda a selecionar as condições relevantes: áreas envolvidas, sistemas utilizados, restrições e situações que alteram o percurso.

Procure um caso que possa ser acompanhado. Reúna registros e relatos e observe o trabalho quando isso for possível. Diferencie o que foi observado, o que uma orientação determina e o que alguém descreve de memória. Se houver caminhos diferentes, registre a diferença e a fonte de cada versão.

Quando a demanda envolver problemas organizacionais no trabalho que não se esclarecem pela descrição do percurso, pode ser necessário ampliar a investigação. O mapa pode contribuir para o diagnóstico organizacional, sem substituir o exame das explicações possíveis.

Como representar o fluxo de trabalho

Comece pelo acontecimento que inicia o recorte. Em seguida, represente as atividades com verbos e objetos claros, como “conferir informações da solicitação”. Indique o participante ou a área que atua para que o desenho não seja apenas uma sequência de ações sem localização no trabalho.

Em cada passagem, verifique o que é encaminhado, quem recebe e qual condição permite continuar. “Enviar para avaliação” fica incompleto se não for possível reconhecer qual informação acompanha a solicitação ou qual função pode avaliá-la.

Quando houver uma condição, escreva uma pergunta que permita distinguir os caminhos. Se a informação necessária estiver ausente, mostre a solicitação de complementação, quem recebe esse pedido e em que ponto o caso retorna depois de complementado.

Não invente um caminho para completar o desenho. Uma exceção sem referência deve permanecer identificada como dúvida, com o próximo exame necessário. Registre a fonte e a situação do mapa antes de apresentá-lo como referência do trabalho.

Para um levantamento inicial, uma representação simples com legenda pode atender à necessidade. Há formatos e ferramentas com diferentes recursos; o guia de mapeamento de processos do Canva apresenta possibilidades de representação. A escolha deve considerar quem precisará ler, conferir e manter o mapa, sem depender de um produto específico.

Exemplo qualitativo com fluxo comentado

Considere um exemplo hipotético de levantamento do estado atual. Uma área apresenta uma solicitação interna; a área receptora confere as informações; uma função autorizada avalia o encaminhamento quando os elementos necessários estão disponíveis. O recorte começa na apresentação e termina na aprovação ou devolução com motivo, antes da execução do serviço.

O fluxo abaixo representa o percurso suposto para esse exemplo hipotético de estado atual e ainda precisaria de conferência com os participantes. Não é um fluxo futuro proposto nem um procedimento aprovado de cliente real.

INÍCIO — Área de origem apresenta a solicitação
    ↓
[CONFERÊNCIA] Área receptora confere as informações
    ↓
Informações necessárias disponíveis?
    ├─ NÃO → Área receptora solicita complementação à área de origem
    │            ↓
    │        Área de origem complementa a solicitação
    │            ↓
    │        Retorna a [CONFERÊNCIA] e verifica novamente a condição
    │
    └─ SIM → Função autorizada avalia o encaminhamento
                 ├─ Aprovação → FIM do recorte
                 └─ Devolução com motivo → FIM do recorte

Legenda: as ações descrevem atividades; a pergunta separa caminhos conforme uma condição; o retorno leva a solicitação novamente à conferência. As saídas finais encerram apenas este recorte, não necessariamente o trabalho posterior.

Em texto: a área de origem apresenta a solicitação e a área receptora confere as informações. Quando falta um elemento necessário, a receptora pede complementação à origem. A origem complementa e encaminha novamente à conferência, que verifica outra vez se as informações necessárias estão disponíveis. Enquanto faltar um elemento, o caminho de complementação se repete; o desenho não autoriza dispensar a conferência. Com as informações disponíveis, a função autorizada avalia a solicitação e emite aprovação ou devolução com motivo. Essas saídas encerram o percurso representado.

A solicitação de complementação é diferente da devolução resultante da avaliação. A primeira retorna à conferência dentro do recorte. A segunda é uma saída da avaliação; um eventual novo pedido após essa saída precisaria de outro recorte ou de uma ampliação explícita do mapa.

Neste cenário, a forma de encaminhar o caso quando a função autorizada está ausente ainda não foi confirmada. Os participantes combinam que a área receptora levará essa lacuna à instância competente. O próximo exame é localizar a orientação aplicável e verificar com quem tem autoridade qual encaminhamento é permitido nessa ausência. Enquanto isso, o mapa não deve inventar um substituto ou representar uma aprovação automática.

O exemplo permite examinar o caminho. Ele não pretende distribuir todas as responsabilidades das áreas ou explicar por que uma solicitação retornou. Essas perguntas exigem referências e exames próprios.

Como conferir o mapa com os participantes

Percorra o desenho com quem apresenta, recebe, encaminha e avalia o trabalho. Utilize um caso e uma exceção relevante para conferir o que passa entre as atividades e quais registros permitem reconhecer essas passagens.

Pergunte se o início corresponde ao recorte, se cada saída tem destino compreensível e se um retorno chega ao ponto correto. Confira também se a condição representada é utilizada no trabalho ou apenas desejada pelos participantes.

Um relato consensual não elimina a necessidade de confrontar a representação com as fontes disponíveis. Quando houver divergência, indique o trecho, as versões e o exame pendente, com a fonte a consultar e quem acompanhará essa verificação. Se a passagem não foi verificada, sua situação deve continuar visível.

Não transforme sequência em explicação causal. Uma espera aparecer depois de uma conferência não prova que a conferência a causou. O exame de hipóteses e suposições ajuda a distinguir uma representação do percurso de uma explicação que ainda precisa ser sustentada.

Do estado atual à proposta de mudança

Mantenha separado o mapa do estado atual e o desenho proposto. O primeiro reúne o que foi possível levantar sobre o trabalho, com as fontes e as divergências identificadas; o segundo expressa um encaminhamento que se pretende adotar. Uma orientação vigente pode ser uma referência do levantamento, mas não comprova que o percurso seja praticado como ela descreve. Substituir uma passagem no desenho não significa que a alteração já foi aprovada ou executada.

Uma mudança de percurso pode afetar informação, recursos, autoridade e participação de outras áreas. A tomada de decisão organizacional ajuda a organizar o exame das alternativas e das condições para escolher. O registro e documentação de decisões preserva as razões da escolha e o que permanece incerto.

Depois de uma alteração aprovada, confira como ela foi encaminhada no trabalho e atualize a referência correspondente. Identifique a situação e a versão do mapa para que um desenho proposto não seja utilizado como descrição de algo já praticado.

Perguntas frequentes

Mapeamento e fluxograma são a mesma coisa?

Não. Mapeamento envolve levantar e representar um processo delimitado. O fluxograma é uma forma de mostrar sua sequência e suas ramificações. Um desenho sem levantamento pode representar apenas uma ideia de como o trabalho acontece.

Preciso de software para mapear?

Não para começar. É possível levantar o percurso e produzir uma representação simples em um suporte acessível aos participantes. A ferramenta deve ajudar a ler, conferir e atualizar o mapa; não substitui o exame do trabalho.

Como representar uma devolução?

Indique o que provoca a devolução, quem a recebe e para onde o caso segue. Diferencie um retorno para complementação de uma saída final da avaliação. Se o destino não estiver confirmado, marque a dúvida em vez de completar o percurso por suposição.

Como diferenciar o fluxo atual do proposto?

Use representações identificadas e mantenha suas fontes e situações explícitas. O mapa atual descreve o levantamento realizado; o proposto apresenta uma mudança que depende de decisão e aplicação. Não misture os dois como se já fossem a mesma prática.

Quem deve conferir o mapa?

Os participantes das atividades e passagens representadas, com as referências necessárias para confrontar o desenho. Essa conferência não substitui a aprovação de mudanças por quem tem autoridade para autorizá-las.

TEMAS & CONCEITOS-CHAVE
  • Mapeamento de processos
  • Processos organizacionais
  • Método DRO
Como citar este artigo

Danilo Rezende Oliveira. Como fazer um mapeamento de processos: fluxo e exemplo prático. DRO, s.d.. Disponível em: https://drobrasil.com/conhecimento/mapeamento-de-processos/.

Ao citar trechos, identifique o autor e inclua o link do artigo. Para reproduzir o artigo integralmente, entre em contato com a DRO. As referências de terceiros mantêm suas respectivas autorias.