Indicadores de desempenho são medidas quantitativas ou avaliações qualitativas, com critérios explícitos, utilizadas para acompanhar uma condição, um processo ou um resultado. Para utilizá-los no trabalho, é necessário definir o que representam, de onde vem a informação e em quais condições sua leitura faz sentido.
Uma contagem de solicitações pendentes pode ajudar a reconhecer o que aguarda avaliação. Ela não explica, sozinha, por que a espera ocorre ou qual pedido deve ser atendido primeiro. A utilidade do indicador depende da pergunta que orienta o acompanhamento.
O que são indicadores de desempenho e quando um indicador é chave
Um indicador pode acompanhar quantidade, tempo, valor, razão, taxa ou percentual. Uma avaliação qualitativa também pode servir ao acompanhamento quando os critérios de observação e registro estão definidos. O nome escolhido precisa permitir reconhecer a condição representada.
KPI é a sigla de Key Performance Indicator, ou indicador-chave de desempenho. A escolha de um indicador-chave de desempenho deve estar ligada a um objetivo e ao acompanhamento pertinente ao trabalho. Chamar uma medida de KPI não demonstra que ela seja pertinente ou bem construída.
O indicador e a meta cumprem funções diferentes: o primeiro acompanha a situação; a segunda expressa o resultado ou patamar pretendido em um período. Um índice pode comparar uma medida com uma base ou combinar componentes. Essas definições e a relação com evidência são aprofundadas em decisão baseada em evidências.
Comece pela pergunta que precisa acompanhar
Antes de escolher uma medida conhecida, esclareça o que precisa ser acompanhado e para qual finalidade. “Acompanhar as solicitações que aguardam avaliação” delimita uma necessidade diferente de “explicar os atrasos” ou “definir a ordem de atendimento”.
Identifique a atividade, os casos abrangidos, o momento ou período de referência e quem utilizará a informação. O contexto organizacional ajuda a reconhecer condições que mudam sua interpretação, como tipos diferentes de pedido ou fontes com coberturas distintas.
Se a pergunta exigir uma explicação, a leitura do indicador será apenas parte do exame. Um aumento de pendências pode ocorrer junto de outras mudanças; essa coincidência não estabelece a causa. O diagnóstico organizacional organiza a investigação das explicações possíveis.
Como definir um indicador de trabalho
Descreva primeiro a condição que a medida pretende representar. Para contar solicitações pendentes, por exemplo, é preciso esclarecer o que caracteriza uma solicitação recebida e em qual situação ela deixa de aguardar avaliação.
Defina quais casos entram na apuração e quais ficam fora. Confira como cancelamentos, duplicações e mudanças de estado são registrados. O mapeamento de processos pode ajudar a localizar onde essas informações são produzidas e quais passagens precisam ser conferidas.
Escolha a unidade e descreva a forma de apuração. Quando houver cálculo, explicite a regra e os componentes. Uma medida de estoque representa o que existe em um momento de referência; uma medida de entradas representa o que chegou durante um período. Usar os mesmos registros não torna essas medidas equivalentes.
Confira se a fonte está acessível, se seus registros abrangem os casos definidos e se a informação pode ser obtida no momento necessário. A frequência deve atender à finalidade do acompanhamento e às condições de coleta. Se a fonte cobrir apenas parte dos casos, identifique esse alcance e confira se a leitura parcial atende à pergunta. Uma apuração parcial não deve ser apresentada como total do escopo.
O que registrar na ficha do indicador
A ficha reúne as definições necessárias para produzir e interpretar a medida. Ela deve permitir reconhecer a origem do resultado, seus limites e se a definição está proposta ou já foi reconhecida para uso.
| Campo | O que esclarecer |
|---|---|
| Nome e finalidade | Qual condição será acompanhada e para qual pergunta a informação será utilizada. |
| Definição e universo | O que a medida representa, quais casos entram e quais ficam fora. |
| Fonte e coleta | Onde estão os registros, como são obtidos e qual cobertura está disponível. |
| Unidade e apuração | Como o resultado é expresso e qual regra deve ser utilizada. |
| Referência e frequência | A que momento ou período o resultado se refere e quando será atualizado. |
| Participações | Quem reúne, confere, interpreta e acompanha dúvidas sobre a informação. |
| Leitura e limitações | O que o resultado permite acompanhar e o que não permite concluir. |
| Versão e revisão | Qual definição está em uso e que mudança pede novo exame. |
A definição de papéis e responsabilidades ajuda a distinguir essas participações. Quem atualiza uma ficha não recebe, por essa tarefa, autoridade para mudar critérios ou aprovar uma ação.
O guia da CGU sobre indicadores de processos apresenta uma ficha de metadados com informações de definição, apuração e uso. Essa referência apoia a organização da ficha; os campos deste artigo devem ser ajustados ao trabalho examinado.
Exemplo qualitativo de acompanhamento
Considere uma situação hipotética. Uma equipe de apoio precisa saber quais solicitações continuam aguardando avaliação. Há registros mantidos por áreas diferentes, e as expressões utilizadas para os estados dos pedidos ainda precisam ser conferidas.
Os participantes preparam a ficha a seguir para examinar uma possível medida. Ela não apresenta uma contagem realizada nem um resultado de cliente da DRO.
| Campo | Definição proposta no cenário |
|---|---|
| Situação da ficha | Proposta em exame; a apuração conjunta ainda não foi validada. |
| Finalidade e nome | Acompanhar o estoque de solicitações pendentes de avaliação, sob uma definição comum. |
| Definição de pendência | Solicitação recebida que ainda aguarda conclusão da avaliação, conforme o estado a conferir na referência do trabalho. |
| Casos abrangidos | Pedidos de apoio do escopo examinado. Cancelamentos, duplicações e outros estados precisam ter tratamento definido antes da apuração. |
| Fonte e acesso | Registros das áreas participantes. O acesso e a correspondência entre os estados ainda precisam ser confirmados. |
| Unidade e apuração | Quantidade de solicitações que atendam à definição, com uma identificação que permita reconhecer o mesmo pedido nas diferentes fontes; esse critério ainda precisa ser conferido. |
| Momento e frequência | Identificar o momento de referência e combinar uma frequência compatível com a disponibilidade dos registros. |
| Participações | Quem mantém os registros esclarece seus estados; a equipe reúne as dúvidas e as encaminha à função competente para reconhecer a definição. |
| Limite de leitura | O estoque não explica a causa da espera nem estabelece a prioridade de cada pedido. |
| Meta | Não definida neste exemplo. |
| Condição de revisão | Mudança no escopo, no registro ou na definição de pendência exige conferir a medida. |
O próximo encaminhamento é confrontar os estados utilizados pelas áreas com a referência do trabalho. Enquanto não houver correspondência confirmada, a ficha permanece em exame; não é adequado apresentar uma contagem conjunta como se todos os registros utilizassem a mesma definição.
Para preparar uma ficha em outra situação, preencha:
- Pergunta e finalidade: o que é necessário acompanhar.
- Definição e casos: o que entra na medida e o que fica fora.
- Fonte e cobertura: de onde vem a informação e o que está disponível.
- Unidade e regra: como o resultado será produzido e expresso.
- Referência e atualização: momento ou período representado, distinto da data de lançamento do registro, e frequência de coleta.
- Participações e limites: quem confere a leitura e quais conclusões ela não sustenta.
- Versão e revisão: definição utilizada e condição que exige reexame.
Como interpretar resultados e mudanças
Antes de comparar resultados, confira se definição, fonte, cobertura e período são compatíveis. Um resultado pode mudar porque novos casos passaram a ser registrados ou porque a regra foi alterada. A variação não deve ser apresentada automaticamente como melhoria ou piora do trabalho.
Também é necessário explicitar o sentido da leitura. Um número menor de pendências pode estar relacionado à conclusão de avaliações, ao cancelamento de pedidos ou à ausência de registros. Investigar essas possibilidades é diferente de escolher a interpretação mais favorável.
Ausência de informação não equivale a resultado zero. Quando a fonte não foi atualizada ou não cobre o escopo previsto, registre o que falta e o alcance da leitura possível. Não complete a série com um valor que pareça plausível.
O resultado pode contribuir para a tomada de decisão organizacional, junto de outras informações e das condições pertinentes. A medida não escolhe uma alternativa nem concede autoridade para agir.
Quando revisar a medida e seus critérios
Mudanças no tipo de solicitação, na fonte ou no modo de registro podem exigir revisão. Uma dúvida recorrente sobre o que está sendo contado também pede conferir a definição antes de continuar a comparação.
Se o critério for alterado, identifique o que mudou e mantenha a versão anterior consultável. Antes de juntar resultados anteriores e posteriores, confira se a comparação continua válida; pode ser necessário apresentá-los como recortes diferentes. A padronização de processos ajuda a tratar critérios comuns e exceções. A proposta de alteração deve ser examinada por quem pode reconhecê-la para aquele trabalho.
No Método DRO, a pergunta e as evidências pertinentes orientam o exame. Acompanhar um indicador pode alimentar esse trabalho, preservando a diferença entre observação, interpretação e recomendação.
Perguntas frequentes
Todo indicador é um KPI?
Não. KPI indica a seleção de uma medida como chave para acompanhar um objetivo. Essa escolha precisa ter finalidade reconhecível. Uma contagem disponível não se torna relevante apenas porque foi colocada em um painel.
Indicador e meta são a mesma coisa?
Não. O indicador acompanha uma condição ou resultado. A meta expressa o patamar pretendido em um período. A definição de uma medida não estabelece, por si, qual resultado deve ser alcançado.
Quantos indicadores devo acompanhar?
Os necessários para responder às perguntas delimitadas e que possam ser produzidos e interpretados nas condições disponíveis. Acrescentar medidas sem finalidade pode dificultar a leitura; não existe quantidade única adequada a todo trabalho.
O que fazer quando não há dados confiáveis?
Identifique a lacuna, a fonte e os critérios que precisam ser conferidos. Pode ser necessário organizar o registro antes de apurar. Não tratar informação ausente como zero ou apresentar uma estimativa como observação realizada.
Quem deve atualizar e interpretar o indicador?
As participações dependem do arranjo reconhecido para o trabalho. Reunir registros, conferir a apuração e interpretar o resultado podem envolver pessoas diferentes. A função que pode alterar critérios ou deliberar sobre uma ação deve permanecer identificável.
Como citar este artigo
Danilo Rezende Oliveira. Indicadores de desempenho: como definir o que acompanhar. DRO, s.d.. Disponível em: https://drobrasil.com/conhecimento/indicadores-de-desempenho/.
Ao citar trechos, identifique o autor e inclua o link do artigo. Para reproduzir o artigo integralmente, entre em contato com a DRO. As referências de terceiros mantêm suas respectivas autorias.