DRO / ACERVO INVESTIGATIVO ART-013 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Papéis e responsabilidades no trabalho: quem faz e quem decide

Entenda como definir papéis e responsabilidades no trabalho, esclarecer autoridade e tratar lacunas e sobreposições com um exemplo prático.

AUTOR Danilo Rezende Oliveira

Definir papéis e responsabilidades no trabalho é esclarecer a contribuição esperada de cada participante: o que executa, confere, decide ou acompanha, dentro de quais limites e como encaminha uma pendência. A definição precisa considerar as condições para agir: informações, recursos, disponibilidade e autoridade. Escrever um nome ao lado de uma atividade ajuda a tornar o acordo visível, mas não cria essas condições.

Uma atividade pode ter executores conhecidos e, ainda assim, ficar sem encaminhamento quando surge uma exceção. Por isso, a pergunta não termina em “quem faz?”. Também é preciso saber quem confere, quem decide e quem acompanha aquilo que ainda não pôde ser concluído.

O que são papéis e responsabilidades

Neste texto, papel é o conjunto de contribuições esperadas de alguém em um trabalho delimitado. Uma pessoa pode participar como solicitante, executar uma atividade em outro momento e contribuir com informação para uma decisão.

Responsabilidade é a atribuição de executar uma atividade, responder por determinado encaminhamento ou acompanhar sua continuidade. Esses sentidos precisam aparecer no acordo. “Responsável pela solicitação” é uma expressão incompleta se ninguém sabe se isso significa preparar, conferir, aprovar ou acompanhar a resposta.

Autoridade é a possibilidade reconhecida de tomar uma decisão dentro de limites definidos. Alguém pode reunir as informações e encaminhar uma dúvida sem ter autoridade para aprovar a solicitação. Uma tabela não transforma essa participação em poder de decisão.

O cargo, por sua vez, identifica uma posição na estrutura, mas seu nome não descreve todas as contribuições esperadas em uma situação. Para compreender a atuação, é necessário considerar o contexto organizacional: o trabalho em questão, os participantes, as referências vigentes e as condições que afetam o encaminhamento.

Quem executa, confere, decide e acompanha

Essas funções ajudam a formular perguntas sobre o trabalho:

  • Execução: quem realiza a atividade e de quais informações e recursos depende?
  • Conferência: quem examina se os elementos necessários estão presentes e quais critérios utiliza?
  • Decisão: quem pode escolher o encaminhamento e até onde vai essa autoridade?
  • Acompanhamento: quem verifica a continuidade e leva uma pendência à instância adequada?

A mesma pessoa pode exercer mais de uma função quando o arranjo de trabalho permitir. Em outras situações, a separação é necessária para atender às referências e aos controles aplicáveis. Não existe uma distribuição única que sirva para toda atividade.

A tomada de decisão organizacional exige atenção à escolha que precisa ser feita e às condições para fazê-la. Participar da preparação de uma decisão não significa, por si só, poder autorizá-la.

Como identificar lacunas e sobreposições

Comece por uma atividade concreta. Peça aos participantes que descrevam um caso e indiquem o que fizeram, o que esperavam de outras pessoas e onde o encaminhamento ficou indefinido. Compare esse relato com registros e orientações disponíveis.

Mantenha as fontes distintas: uma orientação informa como o trabalho deveria ser encaminhado; um registro pode mostrar como determinado caso foi tratado; um relato apresenta a percepção de quem participou. A divergência entre eles é algo a examinar, não uma razão suficiente para atribuir falha a uma pessoa.

Uma lacuna aparece quando uma contribuição necessária não tem atribuição reconhecida. Uma sobreposição ocorre quando há atribuições que se cruzam. Essa sobreposição pode representar uma conferência intencional ou uma duplicação sem finalidade clara. Antes de eliminá-la, verifique o que cada participação deve examinar.

Quando essas situações se repetem ou se relacionam a outros problemas organizacionais no trabalho, esclarecer um quadro pode ser insuficiente. O diagnóstico organizacional ajuda a delimitar o que precisa ser investigado, sem tomar a dúvida sobre atribuições como explicação pronta para todo o problema.

Como esclarecer as atribuições

Delimite a atividade antes de discutir nomes. “Cuidar das solicitações” é amplo; “conferir a informação recebida antes de encaminhar à avaliação” permite discutir uma contribuição específica.

Em seguida, ouça os participantes e confira as referências que sustentam a atribuição: se estão vigentes e se abrangem a atividade e a situação examinadas. Verifique quem pode aprovar o acordo e se há condições para cumpri-lo. Uma pessoa pode conhecer o trabalho e não ter disponibilidade, acesso ou autoridade para a contribuição que se pretende atribuir a ela.

O que não puder ser resolvido entre os participantes deve ser encaminhado à instância competente. Registre a pendência, sua implicação para o trabalho e quem acompanhará esse encaminhamento. Essa participação não autoriza a pessoa a decidir o que está fora de seus limites.

Depois da aprovação pertinente, faça a comunicação de decisões às pessoas afetadas. É preciso que elas reconheçam a referência, compreendam o que mudou e saibam onde levar uma situação não prevista. A definição deve partir do trabalho examinado e manter visíveis as dúvidas que ainda exigem investigação ou decisão.

Exemplo qualitativo entre áreas

Considere uma situação hipotética. Uma solicitação interna chega ao atendimento. A operação confere as informações e uma função com autoridade reconhecida avalia o encaminhamento. Quando falta informação, os participantes discordam sobre quem acompanha a resposta da área solicitante.

O quadro abaixo organiza o que está disponível nesse cenário. Ele separa referência e proposta; não representa um procedimento de cliente nem um acordo já aprovado.

Função ou participaçãoContribuição ou decisão esperadaLimite ou pendência
AtendimentoNo relato do caso, recebeu e encaminhou a solicitação à operação.O relato não estabelece quem acompanha a complementação.
OperaçãoNa orientação vigente do cenário, confere as informações necessárias à avaliação.Conferir não autoriza aprovar a solicitação.
Função autorizadaA orientação identifica essa função como instância de decisão para as situações que abrange.É preciso conferir o alcance dessa autoridade para o tipo de solicitação.
Acompanhamento da pendênciaPropõe-se que o atendimento acompanhe a resposta da área solicitante.A proposta depende de acordo aprovado e de condições para cumprir a atribuição.

Os participantes combinam que o atendimento reunirá a dúvida e a levará à instância competente. Esse acordo trata apenas do encaminhamento da dúvida. Não aprova a nova atribuição de acompanhar todas as complementações e não transfere autoridade para decidir sobre as solicitações.

O próximo exame é verificar quem pode aprovar essa atribuição e se o atendimento dispõe das condições necessárias. Se o acordo for aprovado, sua referência deve explicar o que será acompanhado e onde encaminhar a pendência quando ela não puder avançar.

Quadro de responsabilidades e limites da RACI

Um quadro simples pode ser suficiente para tornar a conversa concreta. Para cada atividade, registre:

  • Atividade delimitada: qual contribuição precisa ser realizada.
  • Participantes: quem atua e em que situação.
  • Contribuição e limite: o que cada participante executa, confere, decide ou acompanha.
  • Fonte e situação da atribuição: referência vigente e seu alcance, ou identificação de que se trata de relato, prática observada ou proposta ainda em discussão.
  • Condições para agir: informações, recursos, acesso e disponibilidade necessários.
  • Lacuna ou divergência: o que ainda não foi esclarecido.
  • Encaminhamento: quem levará a dúvida e a qual instância.

A matriz RACI é um recurso possível para organizar participações. Sua utilidade depende de os participantes conhecerem as convenções adotadas e reconhecerem o arranjo que o quadro representa. Não é necessário adotar siglas para esclarecer as atribuições.

Uma letra ou a palavra “responsável” não deve ser interpretada automaticamente como poder de aprovação. Antes de utilizar qualquer matriz, defina o significado das categorias e confira sua relação com a autoridade efetiva e com as condições para cumprir cada contribuição. O preenchimento não cria delegação nem disponibilidade de recursos. O exercício de funções e responsabilidades da Atlassian oferece uma referência de conversa entre participantes; a escolha do formato deve atender à necessidade do trabalho.

O quadro responde quem contribui e com quais limites. O mapeamento de processos responde como o trabalho percorre atividades e passagens. Os dois recursos podem se complementar, mas não precisam repetir o mesmo conteúdo.

Como registrar e revisar acordos

Identifique a situação do registro: levantamento em discussão, proposta submetida à aprovação ou acordo vigente. Inclua a referência utilizada, a data e a versão do acordo, quem pode aprovar alterações e onde consultar o registro reconhecido pelos participantes.

A documentação de processos pode reunir as atribuições com as demais orientações do trabalho. Quando uma escolha altera limites ou encaminhamentos, o registro e documentação de decisões permite preservar suas razões, as alternativas consideradas e a autoridade que a sustentou.

Reveja o acordo quando mudar uma condição relevante ou quando um caso mostrar que a referência não permite encaminhar a situação. Não basta trocar o nome na tabela: é necessário conferir a contribuição, seus limites e as condições da pessoa ou função que passará a atuar.

Perguntas frequentes

Papel e cargo são a mesma coisa?

Não. O cargo identifica uma posição; o papel descreve uma contribuição esperada em determinado trabalho. O nome do cargo pode ajudar a localizar referências, mas não substitui a explicação da atribuição e de seus limites.

Quem executa também pode decidir?

Pode, quando a autoridade reconhecida e os controles aplicáveis permitirem. A execução de uma atividade não concede automaticamente poder para aprovar qualquer encaminhamento relacionado a ela.

O que fazer quando ninguém assume uma atividade?

Verifique se a contribuição necessária foi delimitada e se existe atribuição vigente. Registre a lacuna e encaminhe sua definição a quem pode resolvê-la. Indicar alguém para acompanhar a dúvida não equivale a atribuir-lhe a execução ou a decisão pendente.

Como tratar responsabilidades sobrepostas?

Confira o propósito de cada participação. Duas pessoas podem examinar aspectos diferentes ou cumprir uma conferência prevista. Se houver duplicação sem finalidade reconhecida, a alteração deve ser discutida e aprovada por quem pode modificar o arranjo.

Preciso usar uma matriz RACI?

Não. Um quadro em linguagem comum pode atender à necessidade. O essencial é esclarecer contribuições, limites, fontes e condições de atuação, com uma referência compreendida pelos participantes.

TEMAS & CONCEITOS-CHAVE
  • Papéis e responsabilidades
  • Organização do trabalho
  • Método DRO
Como citar este artigo

Danilo Rezende Oliveira. Papéis e responsabilidades no trabalho: quem faz e quem decide. DRO, s.d.. Disponível em: https://drobrasil.com/conhecimento/papeis-e-responsabilidades/.

Ao citar trechos, identifique o autor e inclua o link do artigo. Para reproduzir o artigo integralmente, entre em contato com a DRO. As referências de terceiros mantêm suas respectivas autorias.