Para investigar falhas de comunicação entre áreas, compare a informação necessária à atividade com aquilo que ficou disponível e foi compreendido por quem precisa agir. Essa comparação permite localizar a dúvida: o que faltou, qual referência divergiu ou qual encaminhamento não ficou claro.
Um pedido pode ter sido enviado, mas trazer uma referência diferente da consultada pela equipe que o recebe. Antes de atribuir a ocorrência à desatenção, é preciso conferir o conteúdo, as condições de acesso e o entendimento sobre o trabalho esperado.
O que são falhas de comunicação no trabalho
Neste recorte, uma falha de comunicação é uma diferença relevante entre o que uma pessoa ou área precisa saber para agir e a informação que consegue utilizar naquela atividade. A diferença pode envolver uma orientação ausente, uma expressão ambígua, uma referência divergente ou uma expectativa que não foi explicitada.
Essas situações são pontos de investigação. Constatar que duas áreas entenderam um pedido de maneiras diferentes ainda não explica como essa diferença surgiu. Ela pode envolver a mensagem, o acesso à referência, os critérios da atividade ou as condições em que o trabalho foi solicitado.
O contexto organizacional ajuda a delimitar quais condições precisam ser consideradas. Quando o problema envolve outras dimensões do trabalho, vale ampliar o recorte com a análise de problemas organizacionais no trabalho.
Envio recebimento e compreensão são etapas diferentes
Enviar uma mensagem demonstra uma ação do remetente. Conferir se ela chegou ao destinatário mostra outra parte da passagem de informação. Para apoiar a execução, também importa saber se o conteúdo estava acessível e se a pessoa reconheceu o que precisava fazer.
Compreender uma orientação e concordar com ela são questões diferentes. Uma equipe pode entender o pedido e apontar uma incompatibilidade com a atividade sob sua responsabilidade. Essa manifestação merece ser examinada, em vez de ser classificada automaticamente como falha de entendimento.
Quando a mensagem comunica uma escolha já feita, o conteúdo precisa explicar a decisão e o encaminhamento esperado. Esse caso é aprofundado em comunicação de decisões. Aqui, o foco é a passagem de informação entre áreas, inclusive quando nenhuma decisão está sendo anunciada.
Onde conferir uma passagem de informação
Comece pela atividade e pelo pedido que a originou. Identifique o que precisava ser informado, para quem e em qual momento. Depois, compare essa necessidade com a mensagem, os anexos e a referência efetivamente utilizada pelo destinatário.
A conferência deve considerar o que aquela atividade exige. Conforme o caso, examine:
- Conteúdo: o pedido identifica o que se espera da outra área?
- Referência: é possível reconhecer a instrução e a versão pertinentes?
- Canal e acesso: a pessoa recebeu o encaminhamento e consegue consultar o material necessário?
- Entendimento: o destinatário consegue explicar o que fará e quais dúvidas permanecem?
- Responsabilidade: está claro quem esclarece o pedido e quem pode autorizar uma mudança?
A documentação de processos aprofunda como manter uma referência operacional consultável. Para distinguir esclarecimento, execução e decisão, consulte papéis e responsabilidades.
Como investigar uma ocorrência entre áreas
Delimite uma passagem concreta: qual pedido foi feito, qual atividade dependia dele e em que ponto surgiu a diferença. “A informação não chegou” pode se tornar uma pergunta como: “Qual referência estava disponível para a equipe quando ela recebeu este pedido?”
Consulte a mensagem e os documentos pertinentes. Ouça quem enviou e quem recebeu o pedido, diferenciando o que cada pessoa relata daquilo que os registros permitem conferir. Uma mensagem conservada ajuda a reconhecer o conteúdo enviado, mas pode não mostrar tudo o que foi combinado por outros meios.
Compare explicações possíveis. O remetente pode ter usado uma referência antiga; a referência nova pode não estar disponível à outra área; ou o pedido pode ter sido entendido segundo um critério diferente. A distinção entre hipóteses e suposições ajuda a não transformar a primeira interpretação em conclusão.
Na sequência do método DRO, a demanda orienta uma pergunta investigável, a busca de evidências e a elaboração de recomendações. O registro precisa conservar o que foi identificado e o que permanece em aberto. A decisão sobre o encaminhamento cabe à função com autoridade para tomá-la.
Exemplo qualitativo de uma referência divergente
Considere uma situação hipotética: a área solicitante encaminha um pedido com uma referência anexada. A equipe que recebe consulta outra versão e interrompe a preparação para esclarecer qual deve utilizar.
A diferença entre os documentos foi percebida, mas ainda falta identificar qual referência era aplicável e como ela ficou disponível para cada equipe. A investigação compara o anexo, o local de consulta e as condições de acesso. Também confere se havia orientação sobre a substituição da referência anterior.
Se o anexo estava desatualizado, há um ponto a esclarecer sobre sua utilização no pedido. Se a referência nova ainda não estava acessível ao solicitante, a disponibilidade precisa ser examinada. Essas possibilidades orientam a conferência sem atribuir desatenção a qualquer participante.
Quadro de conferência da passagem de informação
O quadro abaixo organiza a ocorrência do exemplo. Ele registra a passagem de informação e não substitui a documentação completa do processo.
| Item | Registro no exemplo hipotético |
|---|---|
| Informação necessária | Referência aplicável à preparação do pedido. |
| Conteúdo disponibilizado | Pedido acompanhado de um anexo. |
| Referência esperada | Aplicabilidade ainda em exame; conferir a orientação pertinente ao pedido. |
| Referência consultada | A equipe destinatária relata ter utilizado outra versão; registrar qual material foi consultado. |
| Acesso e entendimento | Conferir o material acessível a cada área e como a orientação foi entendida. |
| Diferença observada | O anexo e a referência consultada apresentam orientações diferentes. |
| Ponto ainda não confirmado | Qual versão era aplicável e como sua utilização foi orientada. |
| Responsável pelo esclarecimento | Identificar quem responde pela referência e pode esclarecer sua aplicabilidade. |
| Próximo encaminhamento | Confirmar a orientação pertinente ao pedido e registrar de onde veio o esclarecimento. |
Ao usar o quadro em outra ocorrência, identifique a fonte de cada registro e deixe reconhecíveis as informações ainda não conferidas. Um relato e um documento podem contribuir de formas diferentes para responder à pergunta.
Como encaminhar o que foi identificado
O encaminhamento depende da diferença encontrada. Pode ser necessário esclarecer uma orientação, disponibilizar uma referência ou levar uma divergência de critério à função que pode decidir sobre ela. Escolher um novo canal, isoladamente, não resolve uma instrução que continua indefinida.
Combine quem esclarecerá a questão, onde ficará a referência pertinente e como as áreas saberão qual orientação utilizar. Se houver proposta de mudança do critério, registre quem pode aprová-la e diferencie a proposta da orientação já reconhecida para uso. No contexto de operações técnicas, a AWS recomenda documentar canais e expectativas entre equipes. A aplicação ao trabalho exige considerar as condições de cada relação entre áreas.
Depois de um ajuste, confira se a informação necessária ficou acessível e se permite compreender a atividade esperada. Se as ocorrências apontarem questões mais amplas, o diagnóstico organizacional permite aprofundar o escopo da investigação.
Perguntas frequentes
O que caracteriza uma falha de comunicação entre áreas?
Uma diferença relevante entre a informação necessária à atividade e o que ficou disponível ou foi compreendido. É preciso localizar a diferença e examinar como ocorreu, sem presumir uma causa apenas pelo relato de que houve falha.
Enviar a mensagem é suficiente?
O envio, sozinho, não demonstra que o conteúdo chegou à pessoa pertinente, estava acessível ou foi compreendido. A conferência deve considerar a atividade que depende daquela informação.
Como conferir se houve entendimento?
Peça que o destinatário explique, em suas palavras, o que entende que precisa fazer e quais dúvidas permanecem. Compare essa explicação com o pedido e a referência aplicável, sem tratar discordância como incompreensão.
Todo retrabalho resulta de falha de comunicação?
Uma atividade pode precisar de correção por condições que não envolvem a passagem de informação. A relação entre uma troca de mensagens e uma atividade refeita precisa ser investigada em cada caso.
Quando o problema está na definição da atividade?
Quando a dúvida exige esclarecer o que deve ser entregue, qual critério vale ou quem pode decidir sobre ele, a investigação precisa alcançar essas definições. Reenviar a mesma mensagem pode manter a questão em aberto.
Como citar este artigo
Danilo Rezende Oliveira. Falhas de comunicação entre áreas: onde a informação se perde. DRO, s.d.. Disponível em: https://drobrasil.com/conhecimento/falhas-de-comunicacao/.
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